SP Escola de Teatro

Blog de Alberto Guzik É Relançado pela Escola

Alberto Guzik foi ator, dramaturgo, crítico teatral e jornalista. Portanto, alguém que fez e pensou o teatro. Infelizmente, ele nos deixou no dia 26 de junho de 2010, vítima de um câncer, que o impediu de dar continuidade à sua mais nova empreitada, então: a de desenvolver o trabalho como diretor pedagógico da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, espaço da Secretaria de Estado da Cultura.
 
De 29 de julho de 2007 a 15 de fevereiro de 2010, Guzik manteve um blog chamado “Os Dias e as Horas”. Como todo blog não patrocinado, as postagens seguiam a periodicidade do desejo, mas também a do possível. Entre aulas, ensaios, apresentações e inúmeras outras atividades profissionais (ou não), ele registrou não só sua vida, mas os meios pelos quais circulava e as manifestações artísticas a que tinha acesso.
 
Agora, a SP Escola de Teatro, em uma ação inédita, resolveu homenagear Guzik (ou Alberto, como era conhecido entre os amigos) com a republicação de seu blog, a partir desta segunda-feira (25), com curadoria e comentários do diretor, dramaturgo, ensaísta e tradutor Aimar Labaki, no endereço: www.albertoguzik.org.br. “Mais que um crítico, Alberto sempre foi um pensador da Arte. A crítica era apenas uma parte da interlocução permanente que ele mantinha com livros, discos, peças, exposições. Com o fim de sua trajetória como crítico em jornal, o blog passou a ser um escoadouro para sua reflexão por escrito. Sua relação com as obras de arte já havia sido a base de todo um conjunto de contos, publicados com o título ‘O Que É Ser Rio e Correr’”, escreve Labaki, em seu texto de apresentação do blog.
 
“Decidimos republicar Os Dias e As Horas de uma forma diferente. Ao invés de disponibilizar todos os textos de uma vez, vamos publicá-los um a um, como se acabassem de ser escritos”, conta Labaki, que emenda: “Para facilitar a compreensão – e aproveitar a oportunidade para transformar os textos também em material didático – colocamos como hiperlinks informações que julgamos pertinentes: biografias, links, textos citados por Alberto etc. Quando a informação se repete, deixamos apenas na primeira menção, crendo que esse blog será lido não apenas eventualmente, mas também na ordem de escrita, como um livro”.
 
“Essa é a maneira de a Escola reverenciar um de seus mentores e, durante alguns meses, dar-nos a ilusão, ainda que mera ilusão, e ainda que póstuma, infelizmente, de termos, de novo, entre nós, a presença pública do querido Alberto. Um jeito diferente de matar a sua saudade”, afirma Ivam Cabral, diretor executivo da Instituição e um dos bons amigos de Guzik.
 
Sobre Alberto Guzik
Nascido em São Paulo, em 1944, Alberto Guzik estreia no teatro aos cinco anos, em “Peter Pan”, no Teatro Escola São Paulo, dirigido por Tatiana Belinki e Júlio Gouvêa. Em 1967, encena sua primeira montagem profissional: “O Café”, de Mário de Andrade.
 
Envereda pelo campo da reflexão e da produção intelectual a partir de 1971, momento em que passa a escrever críticas teatrais para os jornais Shopping News e Última Hora e para as revistas Senhor, Vogue e IstoÉ. Em 1984, por indicação de Sábato Magaldi, é convidado a ingressar no Jornal da Tarde como crítico colaborador. Torna-se crítico efetivo do JT em 1989, mesmo ano em que é incorporado à equipe de reportagem, onde permanece até junho de 2001, atuando como crítico teatral e repórter especial.
 
No mesmo período, escreve para o Caderno 2 do jornal O Estado de S. Paulo, colabora com a Revista Bravo!, o jornal Valor Econômico, o site Aplauso Brasil e outras publicações, e ainda participa do programa Metrópolis, da TV Cultura, como comentarista teatral.
 
Expande seu campo de ação para além do jornalismo e, como dramaturgo, escreve “Um Deus Cruel”, montagem encenada por Alexandre Stockler, em 1997, estreada em Curitiba e indicada ao Prêmio Shell. Na sequência, assina tradução e dramaturgia de “Mãe Coragem”, de Bertolt Brecht. O espetáculo, dirigido por Sérgio Ferrara e protagonizado por Maria Alice Vergueiro, estreou no Festival de Curitiba, em 2002.
 
Depois de quase 40 anos sem pisar no palco, em agosto de 2003, retoma sua carreira de ator. O retorno se dá com a peça “O Horário de Visita”, de Sérgio Roveri, com direção de Ruy Cortez. Em 2004, estreou na Cia. de Teatro Os Satyros, integrando o elenco de “Kaspar ou a Triste História do Pequeno Rei do Infinito Arrancado de sua Casca de Noz”, encenada no Espaço dos Satyros Um, na Praça Roosevelt. Em maio do mesmo ano, dirige, também no Satyros, “O Encontro das Águas”, de Sérgio Roveri. Dois meses depois, outra direção, dessa vez em parceria com Wilma de Souza: “A Voz do Povo é a Voz de Zé”, de Marcelino Freire. E, em setembro, novamente como ator, divide o palco com Ivam Cabral e elenco de “Transex”, de Rodolfo García Vázquez.
 
Em seguida, participa do premiado espetáculo “A Vida na Praça Roosevelt”, de Dea Loher. Seus últimos trabalhos como ator são: “Inocência” (2006), “Divinas Palavras” (2007), “Vestido de Noiva” e “Liz” (2008), todos sob direção de Rodolfo García Vázquez. E, em 2009, se aventura em um solo: “Monólogo da Velha Apresentadora”.
 
Sua trajetória artística se completa com sua obra literária, tão múltipla quanto seus talentos. Além de “Risco de Vida”, romance publicado pela Editora Globo, em 1995, e indicado ao Prêmio Jabuti, escreve o ensaio “TBC: Crônica de um Sonho”, lançado pela Editora Perspectiva, em 1986, e “Paulo Autran/Um Homem no Palco”, da Editora Boitempo, em 1998, vencedor do Prêmio Jabuti de livro-reportagem. Em junho de 2002, lança, pela Editora Iluminuras, seu primeiro livro de contos, “O Que É Ser Rio, e Correr?”. Em 2009, dois novos projetos: trabalha em uma nova obra de ficção, “Um Palco Iluminado”, romance ainda inédito que enfoca a vida de uma companhia teatral em São Paulo entre as décadas de 1960 e 1990, e assume a Direção Pedagógica da SP Escola de Teatro, instituição que ajudou a criar.

 

 



 

Texto: Majô Levenstein

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