SP Escola de Teatro

Fernanda Montenegro por Gabriela Mellão

A Dona da Festa

 

Um dos maiores desafios da vida é não parar no tempo. Fernanda Montenegro dedicou sua trajetória artística à empreitada, pautada pelo existencialismo que dita suas ações desde a adolescência.

 

Durante uma entrevista que tive a honra de fazer com a atriz, serviu-se de uma frase de Simone de Beauvoir para falar sobre a batalha: “O que me surpreende é a impressão de não ter envelhecido, embora eu esteja instalada na velhice”, disse ela.

 

O tempo é irrealizável na arte desta que, há seis décadas, é a maior atriz dos palcos brasileiros. Acompanha os avanços do teatro combinando talento e experiência com a coragem e ousadia de um estudante. Fernanda Montenegro está sempre há alguns metros de distância do tempo.

 

O monólogo “Viver Sem Tempos Mortos” é um belo exemplo disso, não só por marcar a primeira incursão de Fernanda Montenegro na dramaturgia após 65 anos de profissão, mas pela maneira como construiu sua versão da filósofa Simone Beauvoir, afastada da imitação física e próxima de uma interpretação emocional.

 

“Viver Sem Tempos Mortos” não é um espetáculo. Sintonizado com os avanços da arte contemporânea, a obra investiga novos caminhos no teatro, buscando nada além de sua essência. Fernanda Montenegro rejeita qualquer sinal de tradição teatral na atuação. Direção, cenário e iluminação seguem o mesmo caminho.

 

Fernanda Montenegro é soberana no palco, com o tempo e todos nós a seus pés. 

 

 

Veja os verbete de Gabriella Mellão e Fernanda Montenegro na Teatropédia.

 

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