SP Escola de Teatro

Juliana Carneiro na SP Escola de Teatro

Na próxima quinta-feira (20), das 11h às 13h30, todos os aprendizes da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco estão convidados para um encontro com a atriz Juliana Carneiro que, há mais de 20 anos, integra o grupo Théâtre du Soleil, dirigido por Ariane Mnouchkine.

 

Na sede da Escola, Juliana será entrevistada por João Carlos Couto de Magalhães, conhecido como Janjão. Ele é sociólogo, consultor, programador e produtor cultural.  Atuou como diretor executivo e curador de quatro edições do Festival Internacional de Artes Cênicas de São Paulo (1995,1996,1998 e 1999) e, ainda, como consultor para a programação internacional de dança do Teatro Alfa.

 

Além disso, Janjão foi conselheiro de artes cênicas da Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC) e do Ministério da Cultura, presidente da Câmara Setorial de Teatro e membro do Conselho Estadual de Cultura do Estado de São Paulo. Em 2009, foi nomeado como Chevalier des Arts et des Lettres – França e, atualmente, é curador da área de Artes Cênicas do Festival “Europalia.Brasil”, a ser realizado na Bélgica e países limítrofes, entre outubro de 2011 e janeiro de 2012.

 

O percurso de Juliana, a abordagem de questões específicas de interpretação e um breve relato sobre as opções que norteiam o trabalho da Companhia – como a opção por integrantes de múltiplas nacionalidades, processo que se interessa pela horizontalidade das relações, interesse pelo coletivo e estrutura de funcionamento –, são alguns dos focos da conversa entre os artistas.

 

“Entender como funciona a divisão de trabalhos dessa companhia, é, para os aprendizes, uma grande oportunidade, pois o Experimento se aproxima e, com essas informações, eles podem reconhecer as inúmeras opções de organização, além do aspecto coletivo, que é visto como um agente vitalizador para qualquer artista”, observa Francisco Medeiros, coordenador de Atuação da SP Escola de Teatro.

 

O coordenador acrescenta que a experiência de Juliana poderá ajudar na organização interna de cada aprendiz, e, além disso, fazê-los perceber que o grupo (ou companhia) é um caminho. “Estar junto pode ser uma opção rica de vida, mesmo neste ambiente em que vivemos, que estimula o individualismo”, conclui.

 

A entrevista com Juliana será transmitida via live stream pelo Twitter.  Basta seguir @escoladeteatro e acompanhar nossas postagens.

 

Sobre Juliana Carneiro

 

Bailarina e intérprete, Juliana se destaca pelas suas interpretações em “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, de Fassbinder, ao lado de Fernanda Montenegro, em 1982; e “Mão na Luva”, de Oduvaldo Vianna Filho, em parceria com Marco Nanini, em 1984.

 

Dos 7 aos 17 anos, estuda dança com Maria Duschenes. Aos 18 anos, consegue uma bolsa de estudos na Alemanha, onde realizou um curso de dança folclórica com Kurt Joss, discípulo de Laban. Em 1970, viaja para Bruxelas, onde disputa, com 400 candidatos, uma das 28 vagas para a primeira turma do Mudra, escola de Maurice Bejart dedicada a aperfeiçoar bailarinos de todo o mundo e criar intérpretes para o que ele chama de “espetáculo total”.

 

Dois anos mais tarde tornou-se a primeira aluna brasileira a dançar na Século XX, companhia criada por Maurice Bejart para encenar apenas espetáculos contemporâneos, apresentados em excursões por diversos países. Com os sete alunos que, como ela, concluíram o curso de três anos do Mudra, forma o grupo Chandra, que, durante um ano, se apresenta em Bruxelas, Londres, Genebra e sul da França. Volta para Paris, onde faz trabalhos isolados, entre eles, uma colaboração em espetáculos de Robert Wilson. Em Bruxelas, atua em “Os Românticos Alemães”  e “Bodas de Sangue”, de Federico García Lorca.

 

Em 1976, volta para o Brasil e apresenta o balé solo “Possessão”, de 15 minutos, que estreara com êxito em Bruxelas, baseado na vida de Santa Tereza de Ávila. Por seu desempenho, recebe o prêmio de revelação do ano da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Em 1978, estreia, ao lado de Célia Gouveia, “Isadora, Ventos e Vagas”, com o qual recebe o Prêmio Governador do Estado de São Paulo.

 

No ano seguinte, interpreta o papel de sóror Mariana do Alcoforado, que, no século XVII, se apaixona por um nobre em “Cartas Portuguesas”. Em “Presença de Vinícius” interpreta 16 personagens em um espetáculo, que, embora de carreira curta e pouca repercussão, é assistido por Fernanda Montenegro, que a indica para o papel da muda de “As Lágrimas Amargas de Petra Von Kant”, de Fassbinder, com direção de Celso Nunes, em 1982. Em seguida, atua em outro espetáculo de grande repercussão: “Mão na Luva”, de Oduvaldo Vianna Filho, com direção de Aderbal Freire-Filho.

 

No final dos anos 80, Juliana ingressa na companhia de Arianne Mnouschkine, o Théatre du Soleil. Em pouco tempo, se torna a primeira atriz da companhia, interpretando grandes personagens como Clitemnestra, na trilogia de Sófocles. Volta ao Brasil, em 2003, para contracenar com Marco Nanini em “A Morte de Um Caixeiro Viajante”, de Arthur Miller, com direção de Felipe Hirsch. Juliana também trabalhou com Maurice Bejart e Maguy Marin.
 

 

Texto: Renata Forato

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