A cenografia contemporânea é o tema central de uma série de encontros que acontecem ao longo dessa semana entre o artista plástico, cenógrafo, figurinista e aderecista Marcelo Denny e os aprendizes de Cenografia e Figurino da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
Na aula de quarta-feira (17/08), Denny começou falando sobre algumas instalações criadas por jovens alunos de escolas que ele teve oportunidade de conhecer. O artista comentou sobre a originalidade contida em vários desses trabalhos, que, muitas vezes, não eram compreendidos e acabavam sendo “censurados”.
Essa foi a ponte para que o convidado adentrasse outros assuntos, como o padrão de beleza imposto pela sociedade atual, e a própria definição da arte na contemporaneidade. Segundo ele, hoje existem muitas obras denominadas “híbridas” – aquelas compostas por várias outras artes e linguagens –, que encontram resistência da parte do público. “É compreensível que uma senhora de idade não aceite algo muito impactante. Mas nós, profissionais da arte, temos que ser mais promíscuos no sentido de enxergar a arte.”
Denny também abordou a relação entre a obra e o público. “Por mais que um artista tente inserir algum significado em sua criação, a forma como o público recebe isso varia conforme o conhecimento e a experiência pessoal de cada um”, explicou.
Após discorrer brevemente sobre o universo dos símbolos e signos, explicitando a diferença entre significado e significante, o convidado voltou a abordar a arte contemporânea. “Na contemporaneidade, não existe mais o ‘é’, agora tudo ‘sugere’. A cada momento, a arte se adequa, muda; reverbera de diferentes formas.”
Para ilustrar essa constante renovação, Denny se utilizou de alguns exemplos, como a mais famosa obra de Da Vinci, “Mona Lisa”, que, em pleno século XXI, continua suscitando uma série de novas questões acerca do significado por trás do que seria, em tese, um simples retrato.
Em seguida, o artista perguntou aos aprendizes quais eram as imagens mais marcantes que tinham de instalações que haviam visto há alguns anos. Depois das respostas, provocou: “agora, me digam, vocês acham que as pessoas lembram de algum trecho de um espetáculo visto há dez anos?”. Após ouvir todos dizendo que não, conclui: “É isso. A imagem é a que geralmente fica na memória”.
E, para finalizar, o artista deixou suas impressões sobre a sua participação nos encontros promovidos pela SP Escola de Teatro. “Está sendo muito bacana, porque estou falando com gente que está diretamente interessada em cenografia e arte. A proposta é discutir imagens de uma forma contemporânea. Envolvo até alguns conceitos filosóficos, que são importantes para dar abertura a uma visão diferenciada.”
Texto: Felipe Del