SP Escola de Teatro

Na Direção Certa

Foi navegando pela internet que Paula Sola, aprendiz de Iluminação da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, conheceu o projeto Cão-Guia Sesi – SP. Apaixonada por animais, ela nem pestanejou ao ler a proposta e, sem medo de mudar completamente sua rotina, se inscreveu imediatamente para participar.
 
Com o intuito de treinar cães-guias e colocar à disposição dos deficientes visuais, o projeto, idealizado por Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Sesi/SP, é realizado em uma parceria com o Instituto Meus Olhos Têm Quatro Patas, encarregado do treinamento dos animais, e com o apoio da Fundação Dorina Nowill. A previsão é de que, ainda neste ano, 32 animais sejam treinados e, até 2012, uma centena de animais estejam prontos para doação a deficientes visuais.
 
Paula conta que, após o cadastro no site do projeto, foi até o Canil Sambucan, em Embú das Artes, para interagir com os filhotes e escolher com qual iria ficar. “Cheguei lá e todos faziam festa para mim e outras pessoas que chegavam ao local. Depois de toda aquela animação, uma cadela preta se sentou perto de mim e, na verdade, foi ela que me escolheu”, explica.
 
Já batizada como Gwen, a cadela, na época com cinco meses, foi viver com a aprendiz para que, nesta primeira fase de adestramento, recebesse a educação básica do treinamento específico de cães-guias. “O meu papel é levar a Gwen para onde eu for, com isso, ela vai se adaptar a novos ambientes e ficar comportada em lugares como a sala de aula e locais de trabalho”, observa Paula.
 
A aprendiz conta, ainda, que no começo de sua vida de treinadora, as pessoas barravam a entrada da cachorra nos lugares e, atualmente, ela não passa mais por isso. “Sempre carrego o estatuto do projeto. Nele, consta a lei que permite que cães em treinamento possam acessar o transporte público, entre outros espaços. Agora, os funcionários do metrô, por exemplo, até já me conhecem. Durante a viagem, alguns passageiros estranham o cachorro no vagão, mas, na grande maioria dos casos, vejo que a presença da Gwen naquele espaço traz um sentimento bom. É divertido. Muda o dia de muita gente.”
 
Assim, não é só a mascote Cacilda que recebe as atenções e carinhos dos funcionários e aprendizes da Escola. Agora, entre os corredores e até salas de aula, a cadela Gwen acompanha sua treinadora Paula todos os dias. “Na hora do intervalo, deixo as pessoas brincarem com ela sem problemas. Mas na sala de aula, é como se ela estivesse ‘trabalhando’. Assim, ela precisa se manter calma e não pode receber nenhum tipo de carinho”, conclui.
 
 

 

Texto: Renata Forato
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