SP Escola de Teatro

No Palco SP, Serroni Fala da Escola e Sam Trubridge, de sua Trajetória

Dentro da programação do Palco SP – Encontro Internacional Sobre o Ensino da Cenografia, que vem sendo realizado desde segunda-feira (11), na Sede Rossevelt da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco, há representantes da África, Américas do Sul e Norte, Europa, Ásia e Oceania. Todos debatendo sobre a criação cênica contemporânea.

 
Na tarde de ontem (14), os aprendizes tiveram a oportunidade de assistir a duas palestras: a primeira, das 15h às 16h30, com J.C. Serroni, coordenador dos cursos de Técnicas de Palco e Cenografia e Figurino da Escola, falando a respeito das “Reflexões sobre a Cenografia Brasileira, o Ensino e a Experiência da SP Escola de Teatro”, e a segunda, das 17h às 18h30, com Sam Trubridge, da Nova Zelândia, explicando a “Relação da Performance com a Cenografia e o Ensino da Cenografia na Oceania”.
 
Segundo Serroni, a cenografia teve início no século 5 a.C., na Grécia Antiga, porém, só foi chegar ao Brasil enquanto linguagem e conceito há 70 anos, sendo “muito jovem, quase uma criança”, completou ele. Em 1943, Tomás Santa Rosa fez o cenário da primeira montagem de “Vestido de Noiva”, de Nelson Rodrigues, e “pensou no palco do teatro, no volume, na altura e no efeito que a luz poderia criar no espaço, o que acabou gerando uma grande transformação na maneira de pensar e criar cenografia”, continua Serroni, dando um panorama da evolução até os dias atuais.
 
“Temos uma deficiência enorme do ensino da cenografia, figurino e iluminação. Existe uma carência muito grande. A maioria dos cursos é informal e de curta duração, como oficinas. Nas universidades, o ensino é mínimo. Falta metodologia, processos pedagógicos e formadores capacitados. Tem pouca gente preparada”, comenta Serroni, sobre o ensino da cenografia. “O projeto da SP Escola de Teatro é interessante porque o aprendiz passa por aqui e pode experimentar muito. Tiramos metade do tempo para o Experimento. Estamos no quarto ano da Escola e, para a cenografia, me parece um caminho que pode dar muito certo daqui um tempo. Os aprendizes têm o privilégio da prática do aprender”, concluiu o coordenador.
 
Após um intervalo de 30 minutos, Sam Trubridge ocupou o palco do evento para contar sua história: “Durante a infância, morei por nove anos em um iate e vivi sobre o mar, com as condições de vida que todos os dias são diferentes, com elementos que se movem”.  Depois, explicou como é o trabalho da performance cenográfica em seu país de origem: “Na Nova Zelândia, os arquitetos trabalham praticamente como cenógrafos, pois entendem como lidar com a paisagem e como a construção deve mudar através dos elementos do local”.
 
Mostrou para os participantes imagens de performances de grandes nomes de seu país e também de suas principais obras. “Quando tento definir o que faço, crio uma tensão. Aprendi artes plásticas e depois fui levado a gravitar no design da cenografia, que parecia apropriado para contar minha história. Cheguei à área do teatro e podia me exprimir melhor, mandar minhas mensagens. O tato, olfato, paladar e audição são parte das minhas instalações. Não é apenas visual. Queria trabalhar com todos os sentidos e encontrei um caminho para me comunicar melhor com o meu público, dando a eles uma imagem não fixa”, esclarece o artista sobre sua obra.

Texto: Giovanna Offer
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