SP Escola de Teatro

Reverberação Performática

A atriz Magali Biff e o diretor e dramaturgo Ruy Filho estiveram na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco no último sábado (28), para acompanhar o Território Cultural que mostrou ao público as investigações cênicas decorrentes do Experimento do Módulo Azul. E, ao final do dia, se reuniram com os aprendizes para devolver suas impressões sobre os trabalhos dos núcleos.

Os convidados foram introduzidos por Francisco Medeiros, coordenador do curso de Atuação da Instituição, que ressaltou que os aprendizes deveriam ouvir os comentários como opiniões de profissionais que têm certo conhecimento e experiência sobre performatividade, o que pode colaborar para o aprofundamento das pesquisas dentro do eixo temático do Módulo.

Desde o início da conversa, Magali e Ruy fizeram questão de salientar que pensar no teatro performático não é uma tarefa simples e muito menos algo que se possa delimitar com muita convicção. Segundo eles, isso acontece, além das próprias características híbridas da performance, por conta deste gênero ser relativamente novo.

Em suas observações, a atriz fez uma breve descrição dos traços do teatro performático. “O terreno do performático é menos ficcional e mais real. É mais apresentado e menos representado. O texto tem que passar em você, em seu sangue. O ficcional, por sua vez, pode ser emprestado.” Na sequência, um conselho para os aprendizes: “Arrisquem mais. Isso não significa ficar fazendo ‘loucurinhas’ em cena, e sim uma loucura mais elaborada. Procurem verticalizar, ir sempre mais fundo; se a performance passa a ser mais autoral, também passa a ser mais real”.

Ao assumir o microfone, Ruy buscou um aprofundamento do assunto, mas deixou claro que ele próprio tem dúvidas sobre a existência desse teatro. “Ainda tenho dúvida se o teatro performativo existe, se pode dar certo ou se é apenas uma esquizofrenia da nossa vontade”, brincou.

Contudo, para ele, aquilo que é considerado teatro performático precisa unir as duas instâncias (do teatro e da performance). Nessa relação, uma naturalmente se sobressai à outra, mas ambas devem estar evidenciadas no trabalho.

Magali Biff (Foto: André Stefano)

“No estado performático não se representa, mas se dá, se coloca. Também não ‘acontece’, porque o que acontece é improviso. Este estado tem que ser você, não pode ser outro alguém. Não importa tanto a técnica do ator, é preciso que te reconheçam individualmente na proposição”, completou.

Na hora das perguntas dos aprendizes, prevaleceram as dúvidas em relação a como explorar o lado autoral da performance quando se tem vários envolvidos na criação, ao que os convidados responderam que o estímulo de uma performance não necessariamente precisa ser algo vivenciado por todos os integrantes, mas cada um precisa sentir, de alguma maneira, aquela proposição passando pelo seu íntimo, de uma forma que se aproprie daquilo.

“Obrigado pelo convite, é sempre uma delícia voltar aqui. É um prazer ver teatro o dia inteiro. Não sabemos viver de outra maneira. A inquietação de descobrir o teatro do outro interessa muito para a gente”, disse Ruy.

Magali também agradeceu e elogiou a Escola em sua primeira passagem pela Instituição. “Quero agradecer o convite para conhecer esse trabalho único em São Paulo e participar de uma experiência cultural e artística desse nível.”

Para encerrar, o coordenador pedagógico Joaquim Gama tomou a palavra e citou dois pontos importantes do modelo pedagógico adotado pela Instituição. “Essa é uma Escola que decidiu trabalhar com as incertezas. Isso é o Experimento. O que é gostoso, fácil, não nos interessa. Além disso, outra coisa a se destacar é o fato de termos oito áreas trabalhando juntas em um mesmo projeto”, finalizou.
 

 

Texto: Felipe Del

Sair da versão mobile