SP Escola de Teatro

Terreno Sagrado

Há muito que o bairro do Brás mostra a sua importância comercial, com grandes indústrias de tecelagem e metalurgia, entre outras, que contribuíram para o crescimento e desenvolvimento da economia paulistana. Colocando um pouco de lado este setor, é possível enxergar que a história do Brás vai muito além. Parte dela diz respeito ao prédio, que, desde 2009, abriga a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Vista frontal do prédio, na década de 90 (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Construído em 1912, o prédio abrigou, a princípio, a Escola Normal do Braz – instalada em março de 1913, sob direção do professor Sebastião Dias. Classificado como um dos mais tradicionais estabelecimentos de ensino da região central, ao longo dos anos a instituição recebeu vários nomes, como Escola Normal Feminina da Capital, Escola Normal Padre Anchieta, Escola Normal, Ginásio Estadual Padre Anchieta e Instituto de Educação Padre Anchieta.

 

Passadas algumas décadas, em 1955, uma nova construção foi anexada à parte posterior do prédio, ampliando sua área. Atualmente, este espaço abriga a Escola Estadual Padre Anchieta, localizada na Rua Visconde de Abaeté, 154 – rua paralela à entrada principal da SP Escola de Teatro, na Avenida Rangel Pestana.

 

Pátio do prédio, quando ainda era sede da Escola Normal do Braz (Foto: Arquivo SP Escola de Teatro)

 

Em 1988, a edificação erguida no começo do século teve suas instalações tombadas, juntamente com outras 122 escolas públicas, da capital e do interior, como patrimônio cultural brasileiro pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat).

 

Dois anos depois do tombamento, em agosto de 1990, o prédio passou a sediar a Oficina Cultural Amácio Mazzaropi, que até hoje mantém sua sede no mesmo local, sob a coordenação da atriz e diretora Cida Almeida.

 

 

A chegada da SP Escola de Teatro

Já no novo milênio, no ano de 2005, uma faísca acendeu o que se transformaria no projeto que deu origem à SP Escola de Teatro. Tudo começou quando José Serra, então prefeito da cidade, se aproximou do trabalho da Companhia de Teatro Os Satyros, fundada por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, respectivamente diretor executivo e coordenador do curso de Direção da Instituição.

 

Após conversas com os artistas do grupo, o prefeito conheceu também o projeto que eles mantinham no Jardim Pantanal, bairro da Zona Leste de São Paulo, por meio do qual, jovens da periferia participavam das produções da companhia, atuando como auxiliares, sonoplastas e iluminadores. 

 

Durante dois anos, Os Satyros e outros artistas influentes na cena teatral paulistana – como J. C. Serroni, Guilherme Bonfanti, Raul Barretto, Marici Salomão e Raul Teixeira, que hoje são coordenadores dos Cursos Regulares da Escola –, foram dando forma ao projeto. 

 

E, finalmente, no dia 25 de novembro de 2009, era inaugurada a SP Escola de Teatro. Em fevereiro de 2010, a Instituição já acolhia seus primeiros aprendizes.

 

Desta maneira, mais uma vez, a antiga construção sediava uma instituição de ensino. Suas paredes, agora decoradas com fotografias de grandes artistas teatrais, recebem diariamente centenas de aprendizes, que dão vida à trajetória centenária deste prédio. Um edifício que guarda tantas memórias, tornando impossível pensar na história da região do Brás sem recordar de suas fundações.

 

 

Texto: Felipe Del / Victor Serrano

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