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Por Dentro do Cirque du Soleil

Publicado em: 28/11/2011 |

Em sua primeira visita ao Brasil, Marc-André Roy, responsável pela coordenação do Departamento de Elenco do Cirque du Soleil para o Brasil, ministrou, na última quinta-feira (24/11), uma palestra na SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.

 

Na conferência “Ser um Ator Físico/Palhaço no Cirque du Soleil”, o convidado, que também é ator e marionetista, fez uma apresentação sobre seu trabalho e adentrou um pouco no dia-a-dia do grupo, oferecendo, ainda, uma visão aprofundada do processo de audição para a experiência de palco.

 

No encontro, Marc-André, que não sabia a língua portuguesa perfeitamente, contou com a ajuda do ator, diretor e professor de técnicas circenses Rodrigo Matheus, fundador do Circo Mínimo, da Central do Circo e do Centro de Formação em Artes Circenses (Cefac). Logo no início, Marc-André mencionou o lema da companhia, que traduzido, é “invocar, provocar, evocar”, que são “muito importantes para o Soleil”.

 

A seguir, entre vídeos com cenas de shows e apresentação de slides, o caçador de talentos divulgou alguns dados relacionados ao trabalho do grupo, como: 22 espetáculos espalhados pelo mundo; equipe composta por profissionais que falam um total de 25 línguas diferentes – sendo a oficial o inglês –; 300 cidades visitadas ao ano; e 15 milhões de espectadores em 2010. 

 

Ao entrar no assunto relacionado ao setor pelo qual é responsável, o departamento de casting, Marc-André definiu sua função e de que maneira a exerce. “Estou sempre buscando o novo nos artistas. Como caçador de talentos, preciso pensar na criação, em artistas que tragam algo que nunca foi realizado.”

 

Anualmente, o “talent scout” afirma receber a inscrição de quase 1.000 candidatos, os quais analisa, um por um, para fazer as avaliações. Em São Paulo, por exemplo, ele explica que tem a ajuda de outros profissionais, que o indicam possíveis talentos da região.

 

“Eu sei que há um grande potencial aqui em São Paulo. É muito importante estar aqui, ter esse contato humano. O Soleil parece ser, e de fato é, muito grande, mas cada show é composto por uma espécie de família. Procuramos fazer as coisas da maneira mais ‘humana’ possível”, revelou.

 

Se você tem interesse em entrar para a maior companhia circense do mundo, seja como ator, palhaço, músico, cantor, instrumentista, acrobata ou em qualquer outra área, é preciso, além de talento e perseverança, preencher uma série de requisitos. “É difícil entrar, a concorrência é grande. Para o palhaço, é preciso que ele saia de sua área ‘normal’, tem que ter improvisação, capacidade de se adaptar a outras situações, trocar seu ritmo. Por esta razão, palhaços competentes do circo tradicional precisam ser trabalhados.”

 

A importância do gestual, originalidade, senso de ritmo, carisma e presença de palco são outros fatores essenciais para um palhaço interessado em fazer parte do Soleil. “Somos uma companhia de entretenimento, não temos tragédias. Os espectadores têm que querer você, amar você!”, concluiu Marc-André.u

 

 

Texto: Felipe Del