Depois de Fernanda Montenegro, que visitou a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco no último sábado (3), abrindo o seminário Diálogos da SP, que vai até dia 17, vários convidados visitam a Escola para encontros com os aprendizes.
No primeiro dia, a Escola recebe o ator e diretor cearense Aderbal Freire Filho, que faz uma conferência cujo tema é “O Teatro Ilimitado”. Embora tenha se formado em Direito, desde 1954, Aderbal participa de grupos amadores e semiprofissionais de teatro.
Seu nome começa a aparecer no universo teatral assim que se muda para o Rio de Janeiro, em 1971, quando faz sua estreia como ator em “Diário de Um Louco”, de Nikolai Gogol. Em 1972, realiza sua primeira encenação, o espetáculo “O Cordão Umbilical”, de Mario Prata.
O sucesso profissional veio com a direção de “Apareceu a Margarida” (1973), de Roberto Athayde. No mesmo ano, funda o Grêmio Dramático Brasileiro, com o qual inova o formato tradicional de espetáculos. Aderbal monta, simultaneamente, com o mesmo elenco e num único cenário, diversas peças nacionais. As primeiras montagens a serem “misturadas”, em 1974, foram “Um Visitante do Alto” e “Manual de Sobrevivência na Selva”, ambas de Athayde, e “Pequeno Dicionário da Língua Feminina” e “Reveillon”, de Flávio Márcio.
Em 1975, começa a ser chamado de “diretor maldito”, após realizar encenações com tendências ao hermetismo, como “O Voo dos Pássaros Selvagens”, de Aldomar Conrado, e “Crimes Delicados” (1976), de José Antônio de Souza. Mais uma vez inovando, o diretor resolve montar a peça “A Morte de Danton” (1977), de Georg Büchner, num canteiro subterrâneo da construção de uma estação de metrô.
Na década de 1980, se envolve com teatro de rua e realiza grandes montagens de dramas sacros e, também, adaptações de obras de Machado de Assis e Carlos Drummond de Andrade. No ano seguinte, encena a premiada peça “Moço em Estado de Sítio”, de Oduvaldo Vianna Filho. Em 1983, dirige “Besame Mucho”, de Mario Prata, e recebe os prêmios Paulo Pontes e Mambembe.
Outro espetáculo com o qual ganhou mais dois Mambembes e um Golfinho de Ouro de melhor diretor foi “Besame Mucho”, novamente de Oduvaldo Vianna Filho, com os atores Marco Nanini e Juliana Carneiro da Cunha. Aderbal mostrou seu trabalho, ainda, em diversos países da América Latina, entre os espetáculos apresentados “Mefisto”, de Klaus Mann-Arianne Mnouchkine, com a Comédia Nacional do Uruguai (1985/1986).
O diretor também encena “Soroco, Sua Mãe, Sua Filha”, adaptado da obra de Guimarães Rosa, com o Teatro Mudanda de Amsterdã, Holanda, em 1989. Neste mesmo ano, no Brasil, inaugura o Centro de Demolição e Construção do Espetáculo (CDCE). “A Mulher Carioca aos 22 Anos”, de João de Minas, um de seus primeiros espetáculos com a nova companhia, contém 30 personagens interpretadas por oito atores. O êxito dessa montagem lhe rendeu o Prêmio Shell do ano.
Entre tantas outras peças de sucesso, Aderbal encena, em 1995, “Lima Barreto, ao Terceiro Dia” (1985), texto de Luís Alberto de Abreu e “O Carteiro e O Poeta”, de Antônio Skármeta, em 1997.
Após ganhar, praticamente, todos os prêmios do teatro brasileiro – Moliére, Mambembe, Shell, Golfinho de Ouro, APCA, entre outros – com espetáculos como “O Que Diz Molero” (2003), de Dinis Machado; “O Púcaro Búlgaro” (2006), de Campos de Carvalho; “As Centenárias”, de Newton Moreno; e “Hamlet” (2008), de Shakespeare, protagonizado por Wagner Moura, o diretor lança sua versão de “Moby Dick” e estreia, em 2009, “MacBeth”. No ano seguinte, encenou “Orfeu da Conceição”, obra do poeta Vinicius de Moraes.
No auge de seus 70 anos e com saudades do palco – já que não atuava há 10 anos –, em 2011, Aderbal escreve, dirige e atua em “Depois do Filme”. Sem folgas, o diretor encena, na sequência, “Na Selva das Cidades”, de Bertold Brecht.
Se você não for aprendiz da SP Escola de Teatro, clique aqui e se inscreva, pois só há 20 vagas para cada seminário, exceto para o do Jan Ferslev, que é fechado para os aprendizes da Escola.
Serviço
Seminário Diálogos da SP com Aderbal Freire
Tema: “O Teatro Ilimitado”
Quando: 14 de dezembro, das 14h30h às 16h30
Onde: SP Escola de Teatro
Av. Rangel Pestana, 2.401 – Brás
Texto: Jéssika Lopes