Carta a Madame Elizabeth
São Paulo, 27 de março de 2012.
Olá, Madame Elizabeth The Queen (vulgarmente chamada de Bete Dorgam).
Eu, Dr. D. Pendy, sempre muito humildemente, escrevo-lhe estas mal traçadas linhas para lhe apresentar algumas reflexões sobre suas condutas de vida “artísticomagisterial”.
Madame tem, dentro de seus muitos anos (ops!), colocado no “mercado de trabalho” (hahaha!) um número imenso de “desajustados sociais”.
Esses “marginais” têm provocado muito desconforto neste mundo de “Ai, Meu Deus”! Tornaram-se, por sua mão, desassossegados.
Não conseguem mais olhar este belíssimo mundo com os mesmos olhos com os quais o apreciavam antes do contato com a vossa sapiência.
Bem… Como se não bastasse esse seu propósito “anarquista” dentro de uma formação “clássicacadêmica”, Madame ainda (nos palcos, nas telonas e também, às vezes, na telinha) intervém no mundo contemporâneo de uma forma “desequilibrante” e, porque não dizer também, desequilibrada em sua maneira intempestiva de atuação.
Devo, por respeito amoroso à senhora, dizer-lhe que em burburinhos de foyer de grandes teatros pelos quais vossa magnificência atuou ouve-se à boca pequena:
– Essa atriz é “meia” louca, né?
– Eita! Quem é essa doida?
– Cara, não acredito no que ela está fazendo…
Entre outras expressões de total “desnorteamento”, houve um mais saidinho, ainda, que, em um espetáculo assistido por mim, disse em alto e bom som:
– Eu queria essa gostosa (sic) lá em casa!
Fora outro, ainda mais desinibido, que entrou em cena – completamente desnudo – para lhe entregar um documento, de cunho artístico violento, em mãos. “Cuidado!”, é o que posso lhe dizer.
Reflita melhor sobre suas ações. A sua falta total de “loção” a coloca em real perigo iminente a cada dia em que se aprofunda na verticalização do seu ofício de artista.
Mas, como diria Edson “Bolinha” Curi: É disso que meu povo gosta!
Atenciosamente,
Dr. D. Pendy (também conhecido como Dagoberto Feliz)
P.S.: Sei que muitos outros “desajustados” assinariam estas tão singelas palavras minhas.
Cito alguns de memória: Du Porto, Sr. Fritz, Dona Olívia Paydinho, Dom Ricardo de La Norcia, Mestre Alberti, Sr. Chuck Rogers, Davi Playmobil, Faniquita, Sr. Belo, Sr. Marco Tuiuiú, Dona Gema, Scarpellini ou Rodrigona, Dona Chubaka, Dona Bolot’s, Junior, Valdisney, Bife, Lola Brígida, Montanha, Zabobrim, De Dérson, Juninho, Chabilson, Gastão, Sandoval, Greta Garboreta, entre tantos e tantos e tantos e tantos e tantos outros, e ainda os que virão… virão… virão.
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