Hoje, estava almoçando e pensando em escrever algo sobre minha mãe. Ao chegar em casa leio o convite do Ivam Cabral para escrever para o Dia Mundial do Teatro sobre quem? Minha mãe! Sim, minha mãe é Bárbara, Bárbara Bruno. Ela e o teatro se misturam, homogeneamente, como arroz e feijão, como café com leite.
Toda lembrança que tenho está ligada ao teatro, o teatro para mim é uma caixa de memórias, momentos eternos espalhados por palcos, coxias e camarins. E sempre minha mãe entra em cena: lutadora, apaixonada e comprometida. Minha maior referência de dignidade e de amor. Já dividimos a cena como atrizes, que prazer! Já fui dirigida por ela, que aprendizado!
Não consigo imaginar minha mãe sem o teatro, acho que nem ela, tamanha a paixão e a vocação que ela carrega. Uma verdadeira mulher de teatro, com a cabeça fervilhando de ideias. Como atriz, sempre surpreende com interpretações viscerais e inteligentes; como diretora, aposta na sensibilidade e na criatividade, sempre se jogando sem medo.
Minha mãe é corajosa, ousada e amorosa – como é amorosa! Que colega deliciosa, que olhos profundos; quantas vezes mergulhei neles, e ainda mergulho sempre que me falta o chão. Ela possui uma delicadeza firme, uma generosidade intrínseca, entre outras características sempre poéticas que não caberiam nem em cem depoimentos. O teatro para mim é um grande útero, gerando novas possibilidades estéticas, novas linguagens, novos caminhos. Não por acaso, eu vim de um útero que não para de gerar novos espetáculos.
Minha mãe é o teatro em si!
Veja os verbetes de Bárbara Bruno e Vanessa Goulartt na Teatropédia.
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