Um olhar penetrante, tom de voz rouco, o distinto toque de irreverência e a ausência do comportamento “politicamente correto” permearam a conversa com o diretor Maurício Paroni de Castro, que abriu o segundo Território Cultural destinado aos Experimentos do Módulo Azul da SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco.
Convidado para falar sobre as perspectivas do teatro performativo, gênero que constitui o eixo temático deste Módulo, o artista compartilhou um pouco de suas experiências – especialmente com o dramaturgo alemão Heiner Müller e o diretor polonês Tadeusz Kantor – e dos trabalhos com o seu grupo, o Atelier de Manufactura Suspeita.
Apresentado pelo artista residente de Direção, Cássio Santiago, Paroni focou seu raciocínio em explicar a diferença entre o que chamou de teatro convencional e teatro performático. Em uma curiosa metáfora, disse: “Vamos falar de sexo. Se o sexo fosse o teatro, o tipo ‘baunilha’, no qual o casal simplesmente fica pelado e goza, seria a performance; se aquilo vira ‘sadomasô’, com fantasias, personagens, vira teatro performático”.
Seguindo a mesma linha de pensamento, o convidado se aprofundou na conceituação do teatro performático. “Kantor dizia que aquilo que é feito na frente do público chama-se performance; e aquilo que é feito para o público é uma representação convencional.”
De acordo com Paroni, o Atelier de Manufactura Suspeita, por exemplo, atua exatamente no limiar entre esses dois polos. Para ele, a performance situa-se em um lugar mais próximo da realidade, porém, é preciso ter bem claro em qual nível de comunicação se está trabalhando.

Palestra com Paroni (Foto: André Stefano)
“Nosso trabalho é de gramatização das relações humanas. Em qual nível de comunicação você está falando? No pessoal, sexual, intelectual, existencial? Para qual lado da alma você fala? Você será honesto se souber isso”, comentou.
Depois de discorrer com o característico bom humor sobre vários outros assuntos, como a função da palavra na performance, Paroni encerra: “Agradeço a direção da Escola, aos coordenadores e formadores. É sempre um prazer estar aqui, gosto de dizer que, se na minha época existisse uma escola como essa, não teria ido estudar na Itália.”
Texto: Felipe Del