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Ouvi Contar

Publicado em: 11/11/2011 |

Em uma parceria entre a SP Escola de Teatro – Centro de Formação das Artes do Palco e as Satyrianas – Uma Saudação à Primavera, nasceu o projeto “Ouvi Contar”, que realiza leituras dramáticas em domicílio de textos teatrais inéditos escritos por novos autores durante a Satyrianas, evento que reúne teatro, música, literatura, dança e cinema, na região central da capital paulista, em uma festa que tem duração de 78 horas ininterruptas.

 

O Teatro de Poltrona busca a proximidade com o espectador, tornando-se um ato de reconhecimento recíproco. No panorama contemporâneo do nosso teatro, a leitura dramática vem reforçar o valor da palavra e o apuro na exploração dos gêneros – os sentidos do irrepresentável revelados no hibridismo entre o lírico, o épico e o dramático. 

 

Lançada no ano passado, durante a 11ª edição das Satyrianas, com o objetivo de que todos, espectadores e atores, desfrutem de prazerosos momentos de quebra da rotina por meio do encontro de artistas e moradores da Roosevelt, essa ousada experiência de teatro em domicílio foi idealizada pelo fundador da Cia. Os Satyros, Ivam Cabral, e pela dramaturga e, ainda, coordenadora do curso de dramaturgia da SP Escola de Teatro, Marici Salomão. 

 

Na época, onze moradores da Praça Roosevelt receberam, em suas residências, atores iniciantes e consagrados, além de moradores da própria Praça, para uma leitura dramática de textos teatrais de aprendizes da SP Escola de Teatro, selecionados por Marici e criados durante a prática do exercício “Deus Locutor”, realizado no primeiro semestre de 2010, dentro da programação do curso de Dramaturgia.

 

Esta primeira fase do “Ouvi Contar” teve um resultado tão positivo que a SP Escola de Teatro está produzindo com uma publicação com a compilação dos textos utilizados nessa fase do projeto. “Essa publicação é da maior importância, uma vez que textos teatrais publicados no Brasil são coisa rara. Depois conta muito o fato de ser o trabalho de talentosos aprendizes da Dramaturgia da Escola ganhando visibilidade, divulgação e acessibilidade. São peças curtas e que, agora, ganham a possibilidade de chegar às mãos de grupos de teatro, artistas e formadores de opinião, interessados em montar e/ou discutir sobre a nova dramaturgia”, observa Marici.

 

Este ano, durante a 12ª edição da Satyrianas, que será realizada entre 11 e 14 de novembro, o projeto continua a todo vapor e vai apresentar novas mini peças selecionadas pela criteriosa leitura de Marici que, também, são resultado de estudos em sala de aula feitos pelos aprendizes do Módulo Amarelo (vespertino).

 

“Um dos objetivos da Satyrianas é agregar artistas que estão começando dentro dessa programação. O ‘Ouvi Contar’ é um exemplo dessa ideia. Ver esses novos trabalhos que surgiram durante as aulas, fora a possibilidade inovadora de participar dessas apresentações dentro dos apartamentos dos moradores da Praça Roosevelt, é fantástico. E quem não gosta de tomar um chá e ouvir histórias ao pé do ouvido?”, observa Gustavo Ferreira, coordenador geral do evento e, também, Produtor Cultural da SP Escola de Teatro.

 

As apresentações têm duração de até 20 minutos e, no máximo, cinco personagens. Nesta edição da Satyrianas, elas continuam sendo realizadas dentro de casas e apartamentos nos arredores da Praça Roosevelt. Para informações sobre os locais das apresentações e retirada de ingressos, os interessados devem se dirigir ao Espaço Satyros Dois, uma hora antes do evento.

 

 

Confira abaixo a programação:

 

Sexta – Feira, 11 de novembro

 

20h | “Tabuleiro”, de Valéria Marcelino

Sinopse: Uma garota, no limiar de si, confronta duas personagens que podem ter respostas para suas angústias. Que forças entram em jogo nesse momento de mudança? 

Direção: Jeferson Brito Ramos. 

Elenco: Leandro Doregon, Mayra Bertazzoni, Juliana Spadot e Cristiano Carvalho. 

 

22h | “Não Tenho Tempo pra Lua lá Fora”, de Mayra Bertazzoni 

Sinopse: O suicídio artístico de uma escritora diante da evolução tecnológica: num mundo midiático em que a TV e a Internet disputam nosso tempo e atenção, como encontrar tempo para produzir e/ou fruir a arte?  Como negar o frenesi tecnológico, quando se é parte de uma geração seduzida pelo novo? 

Direção: Durval Mantovaninni. 

Elenco: Valmir Martins e Marina Morena. 

 

 

Sábado, 12 de novembro

 

18h | “Janelas”, de Paloma Dourado 

Sinopse: Quando uma fresta de luz invade o conforto de um quarto escuro, medos e traumas podem ser revelados por palavras estilhaçadas e soltas no ar. Ao abrir as janelas do mundo, cada um se depara com a própria realidade – ali presente, efêmera, e sempre única a cada instante. 

Direção: Paloma Dourado. 

Elenco: Vlademir Daniel e Fernanda Bugallo. 

 

19h30 | “O Beijo”, de Carlos H. Godoy 

Sinopse: O encontro de dois homens, aparentemente muito distintos, mas, separados por circunstâncias, unidos pela mesma História. Desejos pairam sobre suas cabeças, enquanto as palavras não passam de labirintos clandestinos na fração de tempo em que os personagens são flagrados. 

Direção: Paloma Dourado.

Elenco: Vlademir Daniel e Flávio Cardoso. 

 

 

Domingo, 13 de novembro

 

18h | “Aprendendo a Respirar ou Aprendendo a Parar de Respirar”, de Camila Rafael

Sinopse: Em meio ao tédio caótico do mundo, a necessidade urgente de regozijar diante da vida e descobrir novas formas de não parar. Redescobrir como viver. Direção: Pablo Calazans. 

Elenco: Marina Odo. 

 

19h | “A Doce Vida de Sebastiana”, de João de Freitas

Sinopse: Como expressar um sentimento quando as palavras já não dão conta da doçura e da frieza de uma relação familiar? Como não se arrepender do essencial que deixamos de dizer? É nas entrelinhas do não dito que mora a doce poesia de um “eu te amo” calado, sufocado e morto pelo passar do tempo.

Direção: Camila Oliveira. 

Elenco: Mariana Brum, Lucélia Machiaveli, Fernanda Bugallo, Marli Lopes e Valmir Martins. 

 

 

Segunda, 14 de novembro

 

19h | “A Vida de Eu”, de Juliana Oliveira Pena 

Sinopse: Pode alguém deixar de existir sem perder a vida? Pode o outro ser responsável pela felicidade desejada? “A Vida de Eu” mostra a trajetória de alguém que passou muito tempo preso a outro – e ao tentar mudar a própria história, deixa de existir. 

Direção: Edelsio Alves.

Elenco: Priscila Gomes.

 
 
Texto: Renata Forato