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Papo de Teatro com Adriana Vaz

Publicado em: 02/04/2012 |

Adriana Vaz Ramos é designer de aparência de atores, figurinista, maquiadora, pesquisadora de semiótica e professora.

 

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?

Sei lá, quando vi já estava em um relacionamento sério com ele! Isto faz muito tempo!

 

Lembra da primeira peça a que assistiu?

Não me lembro, mesmo! Mas do primeiro filme eu me lembro. Foi “O Mágico de Oz”. Meu irmão, bem mais velho do que eu, o crítico de cinema (naquela altura ele ainda não exercia essa função) Luciano Ramos, me levou. Foi realmente mágico!

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.

Vários! Sempre aparece algo novo que nos faz pensar de uma forma diferente. Mas já assisti a grandes criadores, como Bob Wilson, Théâtre du Soleil, Peter Brook, Pina Bausch, La Fura dels Baus, entre outros tantos que não poderia nomear aqui.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.

Não tenho algo na memória com este rótulo, embora entenda que nossa vida está sempre em constante mudança.

 

Você teve algum padrinho no teatro?

Não tive e nem tenho padrinhos, mas sim companheiros de jornada. Muitos, ao longo das décadas de trabalho na área.

 

Já saiu no meio de um espetáculo?

Nunca. Assisto até o final, mesmo que não esteja gostando.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado.

Puxa! Tantos! Todos os que eu gosto muito. Quando vi a microssérie “Hoje é dia de Maria”, pensei como eu gostaria de ter participado daquela produção. 

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo?

Sim, claro! Primeiro porque quem trabalha com teatro sempre assiste seus trabalhos inúmeras vezes. Pelo prazer de ter gostado também.

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.

Pergunta difícil, porque hoje em dia tem surgido artistas muito bons nessa área, tanto no Brasil quanto no exterior. Mas gosto muito do Nelson Rodrigues. Adoro os personagens e as situações que ele criou. São a cara do Brasil. De modo óbvio, adoro Shakespeare. Suas criações mudaram o mundo!

 

Qual companhia brasileira você mais admira?

Não sei dizer qual mais admiro. Mesmo porque no Brasil há poucas companhias estáveis. Gosto bastante do Vertigem, do Grupo XIX, entre outros tantos!

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?

Muitos. Mas posso citar o Antunes Filho.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?

Gênero bom. Tudo que é bom, eu gosto. E bom é um conceito difícil de delimitar…

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?

Puxa! Eu sou míope! Tento sentar onde possa enxergar bem. Nem sempre é na frente que se enxerga bem.

 

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?

Já trabalhei em grandes teatros de ópera como o de Manaus, o de Recife e o de Lisboa, mas não consigo pensar em qual teria sido o pior espaço cênico…

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou? 

Acho que há os dois – peças ruins e encenadores ruins da mesma forma. Mas um encenador pode fazer maravilhas com uma peça ruim e também pode arrasar uma boa peça!

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?

Sei lá! Não gosto de pensar assim.

 

Cite um cenário surpreendente.

Aquele que estiver em sintonia com a cena e puder comunicar sentidos por meio de sua linguagem própria.

 

Cite uma iluminação surpreendente.

A resposta anterior também responde a esta questão.

 

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.

Sei que serei injusta ao nomear alguém e esquecer outros. Por esta razão citarei alguém que não é brasileiro, a Björk em “Dançando no Escuro”.

 

O que não é teatro?

Penso em teatro como aquela construção que é feita para ser vista por alguém. Tal construção pode assumir as mais diversas formas possíveis, embora concorde, em partes, com as abordagens de que a cena está expandida e vem tomando a vida e o cotidiano das pessoas na contemporaneidade.

 

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?

Não acho que vale tudo para a arte ou para o teatro, acho que não devemos ter preconceitos. Não podemos dizer a priori o que vale para uma forma artística ou para outra. Aliás, também não entendi a dicotomia entre arte e teatro que está na questão. Teatro não é arte? A qual forma de arte a questão se refere?

 

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?

Esta questão está na cabeça dos criadores de nossos dias. Eu penso que o teatro sempre se adequou às inovações tecnológicas surgidas ao longo dos tempos, entretanto, a era digital da informática propõem questões difíceis para o teatro que possuiu uma matriz ancestral arcaica, calcada nos rituais primevos da humanidade. São dois pólos que precisam encontrar um ponto de coexistência.

 

Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?

Não sei responder a essa questão. Não sou, por definição, uma grande amante dos textos teatrais. Aprecio-os, mas gosto mesmo das encenações.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.

Diretor: Antunes Filho

Autor: Nelson Rodrigues

Ator: Willem Dafoe (e mais centenas de outros atores e atrizes!)

 

Qual o papel da sua vida?

Não sou atriz.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. 

Shakeaspeare: Você pensava na encenação de suas peças? Pensava na construção da aparência dos atores ou não se importava com a visualidade que podiam apresentar?

Nelson Rodrigues: Gostaria de dirigir todas as suas peças?

Brecht: Você estudou Victor Chklovski?

 

O teatro está vivo?

Com certeza sim!!