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Papo de Teatro com Ester Lacava

Publicado em: 10/10/2011 |

Ester Lacava Ferreira  é atriz e produtora

 

Como surgiu o seu amor pelo teatro?
Não sei, acho que já nasci com esse amor…

 

Lembra da primeira peça a que assistiu? Como foi?
“O Menino do Polegar Verde”. Tinha 6 anos e fui com a escola. Foi impactante. Fiquei maravilhada com a luz, a trilha, a fumaça…aquela história, lembro até hoje.

 

Um espetáculo que mudou o seu modo de ver o teatro.
“Catastrophe” de Beckett.

 

Um espetáculo que mudou a sua vida.
“Catastrophe”.

 

Você teve algum padrinho no teatro? Se sim, quem?
Não.

 

Já saiu no meio de um espetáculo? Por quê?
Sim. O trabalho não tinha o mínimo necessário para se sustentar em cena.

 

 

Teatro ou cinema? Por quê?
Teatro. Porque o risco é maior. Ele requer mais responsabilidade, coragem e entrega.

 

Cite um espetáculo do qual você gostaria de ter participado. E por quê?
“Ricardo III”. Tenho sonho de fazer um Shakespeare.

 

Já assistiu mais de uma vez a um mesmo espetáculo? E por quê?
Sim. Assisti 6 vezes “Catastrophe”. Fiquei muito impressionada com a Maria Alice Vergueiro e a direção do espetáculo. Foi um evento daqueles em que se perde a referência…

 

Qual dramaturgo brasileiro você mais admira? E estrangeiro? Explique.
Plínio Marcos. Ele sempre trabalhou com a verdade da sua alma. Fica claro que ele não se corrompia com o “falso glamour” da sociedade. Eu o admiro por isso.
Shakespeare.  Eu o considero um gênio… no melhor sentido da palavra.

 

Qual companhia brasileira você mais admira?
Não conheço todas a fundo, nem os valores adotados por elas. Fica difícil citar uma.  Aprecio mais aquelas que trabalham com a diversidade. O teatro como “expressão”, muito mais do que o” engajamento”.

 

Existe um artista ou grupo de teatro do qual você acompanhe todos os trabalhos?
Sim. Acompanho o trabalho dos meus amigos e parceiros sempre.

 

Qual gênero teatral você mais aprecia?
O inclassificável…

 

Em qual lugar da plateia você gosta de sentar? Por quê? Qual o pior lugar em que você já se sentou em um teatro?
Gosto da fileira do meio, no meio. Essa distância me agrada. Nem muito perto nem muito longe.
Acho que o pior lugar que já sentei foi aquele com grandes interferências. Aquele que por algum motivo me tirou a concentração.

Fale sobre o melhor e o pior espaço teatral que você já foi ou já trabalhou?
Mesmo no pior espaço tive momentos incríveis de adaptação… O melhor foi aquele que reuniu os elementos do nosso ofício de uma maneira tão harmoniosa que tornou tudo muito especial. Isso apareceu no resultado pra quem assistiu…

 

Existe peça ruim ou o encenador é que se equivocou?
Existe muito texto ruim. Existe muito encenador equivocado.

 

Como seria, onde se passaria e com quem seria o espetáculo dos seus sonhos?
Engraçado, nunca pensei nisso dessa maneira tão completa. Já pensei nessas três coisas, só que separadamente. rsrs

 

Cite um cenário surpreendente.
“Manon”, de Jules Massenet, com direção de Aidan Lang. Vi no Festival de Ópera de Manaus. O cenógrafo era um inglês.

 

Cite uma iluminação surpreendente.
Os espetáculos da Pina Baush.

Cite um ator que surpreendeu suas expectativas.
Raul Cortez.

O que não é teatro?
A vida.

A ideia de que tudo é válido na arte cabe no teatro?
Sim.

Na era da tecnologia, qual é o futuro do teatro?
Sempre manter-se “espiritual”. O “canal” do teatro é ritualístico. O ser humano sempre vai precisar se conectar com isso. Quanto mais ele rejeita, mais distante do sagrado ele fica. Qual seria o sentido da existência sem o sagrado?


Em sua biblioteca não podem faltar quais peças de teatro?
“Quem têm medo de Virgínia Woolf ?”, ” A Tempestade”, “Longa Jornada Noite adentro”, ”Os Veranistas”, ”Seis Personagens à Procura de um Autor”, ”Macbeth”, ”Édipo”, etc.

 

Cite um diretor (a), um autor (a) e um ator/atriz que você admira.
Mario Bortolotto na direção pode surpreender os mais jovens. O inglês Mark Havenhill  é um autor referência hoje na Europa até para os mais clássicos.Quando vejo a Cleyde Yáconis no palco, vejo uma “luz”. Gosto muito das escolhas do Dan Stulbach, elas não seguem uma regra.

 

Qual o papel da sua vida?
Não sei, pois ainda não vivi o bastante… Todos até agora me pareceram incríveis.

 

Uma pergunta para William Shakespeare, Nelson Rodrigues, Bertold Brecht ou algum outro autor ou personalidade teatral que você admire. (Por favor, explicite para quem é a pergunta)
Sr.William Shakespeare, o que é “o” mais importante num espetáculo teatral?

 

O teatro está vivo?
Ele é IMORTAL.